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Alice: de terapeuta a empresária

A expansão de um negócio sem perda da identidade

Como fazer crescer um serviço que estagnou por depender da vida de um profissional?

Fiz terapia durante 7 anos com uma das profissionais mais sérias deste país. A brasileira de ascendência japonesa, Alice Keikos, ficou famosa, pois já tratou metade dos grandes executivos de São Paulo e certamente colocará suas abençoadas mãos na outra metade em breve.

Por incrível que pareça, um dos projetos de maior ascensão e resultado que tenho em meu currículo foi realizado em horas vagas de bate-papo com esta incrível profissional do mundo da psiquê humana. Foi lá na Rua Silvia que, sem ser contratada como consultora de marketing e estratégia, assumi este papel, diante do talento e competência demonstrados por aquela pequena (somente em estatura física) japonesa maravilhosa.

Era noitinha, minhas consultas sempre aconteciam por volta das 20:00hs e o próximo paciente havia faltado. Assim, entre um chá e algumas bolachas, expus o que tinha em mente:

— Alice, você precisa crescer, expandir a clínica, tratar um número maior de pacientes, senão seu conhecimento tão valioso, suas viagens para a China para estudar acupuntura e seus inúmeros cursos de especialização ficarão restritos a um número pequeno de pessoas, o que é uma grande pena e tremendo desperdício.

Com o vigor de uma terapeuta enérgica, com a força de uma massagista corporal tão experiente, ela retorquiu:

— Mas eu não tenho como contratar profissionais. Eles viriam para cá cheios de vícios. É muito difícil expandir meu negócio, pois ele depende do tempo que tenho disponível e do que aprendi nestes anos de trabalho e o dia só tem 24 horas.

— Você não pode pensar assim. É um absurdo, com tanto conhecimento, passar o dia atuando operacionalmente. Seu papel é de farol; acompanhar os pacientes, fazer os diagnósticos, mas também orientar novos terapeutas. Se estes profissionais não existem, forme-os, dê cursos de terapia corporal. Serei sua primeira aluna e ajudarei a organizar o conteúdo e a montar a primeira turma.

Nem foi necessário grande esforço, pois com o consultório lotado de pacientes, bastou o boca-a-boca (eficaz ferramenta de marketing) para que o primeiro curso de massagem terapêutica ficasse totalmente lotado. O curso, com carga horária de um fim-de-semana por mês durante 2 anos, foi seguido à risca, sem nenhuma desistência. Mais do que transmitir conhecimentos, a hábil e experiente profissional deu-nos de bônus uma terapia de grupo, pois todos foram intensamente trabalhados naqueles encontros.

Desde então, tomada por meu dia-a-dia de publicitária marqueteira, não participei mais — só fui parteira do negócio. Mas a marca "Keikos — prevenção e saúde" é um case de sucesso e muito posso me orgulhar de tê-la ajudado a olhar para o futuro. Hoje são mais de 7 unidades em São Paulo, incluindo os SPAS. Sinto-me muito feliz por ter contribuído com uma pessoa tão talentosa como a Dra. Alice. Seu sucesso deve ser atribuído única e exclusivamente a ela mesma, mas muito me orgulha ter pensado numa saída estratégica para lapidar o diamante bruto que Alice tinha em suas mãos.

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